terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Sol e a Lua

Todos os dias Solange, carinhosamente apelidada de Sol, saía de casa mais cedo, dava volta no quarteirão e se escondia atrás da velha casa abandonada , tudo isso só para ver a linda Luna passar a caminho da escola. Era o tempo de ela apontar na esquina e Sol começar a andar, como se fosse apenas uma coincidência estar passando por ali, ficava a espera do dia em que Luna lhe daria um "olá".
Luna era uma linda menina de cabelos ruivos e olhos verdes, tinha muitos meninos ao seus pés, mas seu coração pertencia a menina de óculos. Sempre, ao passar pela rua da casa abandonada, ela surgia, assim do nada. Tudo que ela queria é que Sol lhe desse um "bom dia" qualquer.
O amor que uma sentia pela outro era tão puro e bonito, e muito vetado pela sociedade da época. As duas eram obrigadas a se esconder em suas próprias sombras e lamentar-se pela felicidade que lhes fora proibida.
Em uma quarta feira qualquer Sol não acordou mais cedo, nem deu a volta no quarteirão, havia se cansado de esperar pela musa, que mais lhe parecia uma miragem. Afinal, já havia feito tudo que lhe era possível e de nada adiantara.
Luna, ao perceber a falta da menina de óculos se desesperou e decidiu agir logo. Escreveu uma velha lenda, em que o Sol e a Lua eram apaixonados um pelo outro, em um papel e desenhou um eclipse. Tomou coragem e depois de dar algumas voltas na escola encontrou Sol e lhe entregou os pequenos presentes.
O coração das duas parou um décimo de segundo, uma de medo e a outra de felicidade. Tudo que as duas conseguiram fazer foi sorrir, olhar nos olhos da outro e dizer sim, sem ao menos saber o que estavam aceitando.
Haviam aceitado lutar pelo direito de igualdade, lutar pela felicidade, aceitado se amar enquanto desejarem. Afinal, se nem o amor entre a Lua e o Sol que estavam tão longe um do outro era impossível, por que o de duas boas moças seria?
Lara Pacheco

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